Terça-feira, 10 de Abril de 2012
De Ein Karem ao Menorah

          Deixamos o vale do Sidron em direcção à parte nova de Jerusalém, onde hoje funciona praticamente toda a actividade politica e administrativa da capital de Israel. Com a chegada de muitos judeus, idos sobretudo da Europa, a Cidade Velha de Jerusalém começou a tornar-se pequena para acolher mais residentes, daí, graças à colaboração do filantropo Sir Moses Montfiore, em meados de séc.. XIX surge o primeiro subúrbio judaico  fora das muralhas conhecido por Yemin Moshé.

           Num restaurante do grupo Ramat Rachel, vizinho do ateliier de lapidação e venda de diamantes de Jerusalém, almoçamos ricamente. E como estávamos perto de coisas ricas no fim  do almoço para lá nos dirigimos, pois também sabemos apreciar o que tem valor. Valha-nos isso....

 

           Parque muito bem ajardinado do restaurante

         Sala de exposição e venda de jóias, no atelier de lapidação de diamantes.

 

          Após a visita ao compplexo de lapidação de diamantes, saímos sem pensar mais no proibitivo... e seguimos com destino ao sopé do Monte Herzl. E ali, sim, dá que pensar!

          .....Aqui o que se nos oferece ver e meditar é horroroso, só de pensar que a causa se deve à maldade de um ser humano, e decorrido que foi passado quase dois mil anos após Jesus ter vindo anunciar ao mundo que somos todos irmãos. O Yad Vashem guarda o memorial oficial de Israel que lembra os 6 milhões de Judeus que morreram no Holocausto, da década de 40 do século XX. A origem do termo surge de um versículo biblico: " E a eles darei a minha casa e dentro dos meus muros um memoriial e um nome( Yad Vashem) que não será arrancado".

          O Yad Vashem é um complexo com cerca de 18 hectares, dispondo de museu da história do Holocausto, memoriais como o das Crianças e sala da Memória; o museu de arte do Holocausto, esculturas, lugares comprovativos ao ar livres, como vale das Comunidades, a sinagoga, arquivos, um instituto de pesquisa, biblioteca, uma editora e um centro educacional, a Internacional School for Holocust Studes (Escola Internacional para o Estudo do Holocausto).

         Uma avenida com arvores plantadas em homenagem aos não-judeus que ajudaram judeus a escapar dos nazis durante o período do Holocausto, chamados "Justos das Nações do Mundo" é consolador percorrer já que no percurso deixa transparecer o lado bom que existe nas pessoas  quando despertadas para fazerm o bem, e contrariar o mal.

           Aqui o destaque vai para a polaca Irena Sendler que salvou centenas de crianças judaicas do Holocausto

          Entrada no Memorial das Crianças, onde por uma passadeira em ambiente soturno e triste como a noite uma voz vai evocando o nome das crianças vítimas do ódio nazi.

           Na Av. dos Justos das Nações, junto a um pinheiro o nome de Portugal, representado por Aristides de Sousa Mendes, diplomata português que salvou a vida a muitos judeus sujeito como tantos outros justos conhecidos e anónimos às consequências de então. 

          O tronco do pinheiro e junto a respectiva placa com o nome do "Justo" Sousa Mendes.

 

          Outro notável "justo", o Dr. Janusz Korczak, que corajosamente tentou salvar a vida de muitas crianças na qualidade de educador que era, ali tem tem a sua efígie à entrada do Memorial das Crianças, a recordar a heróica atitude desse educador polaco.

 

          A jornada desse dia, 19 de Fevereiro, que começou em Ein Karem e terminou precisamente às 15h00 em Portugal, e 17h00 em Israel, com a visita ao grande Menorah de bronze, oferta do Parlamento Britânico, em 1956, ao então jovem Parlamento de Israel. A escultura é de Benno  Elkan e está colocada frente ao edifício do Parlamento. A escultura que representa vinte e nove cenas vividas da vida judaica, antiga e moderna, mostra: Moisés, cujos braços estendidos asseguram a presença de Deus junto do povo, durante a batalha;o jovem rei David segurando a cabeça do gigante filisteu Golias; e o Holocausto da II Guerra Mundial que precedeu o Estado de Israel. Contem uma inscrição com as seguintes palavras:" A  Menorah é o simbolo da luz da fé e da esperança, que conduziu o povo judaico durante quatro mil anos".



publicado por aquimetem às 13:05
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2 comentários:
De mg a 12 de Abril de 2012 às 17:55
É sempre uma pena, ter que haver subúrbios de cimento ao pé de relíquias...fica tudo vulgaríssimo!
Belos jardins e cuidados..
Estranho aquela coisa das jóias e da lapidação de diamantes nas terras de Jesus que era um exemplo de humildade..., lá está mais uma coisa a destoar!
Sempre triste lembrar as crianças e o Holocausto. Ainda bem que houveram pessoas e (portuguesas) que se empenharam nos salvamentos...
Esta escultura, o Menorah, parecia-me um candelabro gigante! Bem , pensando bem ,como é um símbolo de luz...se contém aquelas cenas referenciadas, é um autêntico azimute, uma espécie de tocha ardente...um farol de orientação(histórico) . Não estav muito equivocada...



De aquimetem a 13 de Abril de 2012 às 00:23
Sempre atenta e minuciosa nos comentários. Muito bem. Na manutenção da originalidade não há reparos a fazer, porque no traçado antigo os Israelitas mantêm o original. Tudo que é moderno é fora das muralhas de Cidade Velha de Jerusalém. Também a lapidação é na cidade nova, quer dizer, nos arrabaldes de Jerusalém. O símbolo do Povo Judeu é muito grande de facto e já o divulguei no Facebook , me parece. O holocausto é uma vergonha para toda a humanidade , e um só português em cena outra vergonha é. Mas enfim, pobres sempre os haver na terra.....


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